Trabalhando no anonimato

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Disco Oculto + Entrevista com Pachá

Tracklist

 01 – Intro
 02 – Difícil
 03 – Respostas
 04 – Quanto Mais
 05 – Aqui Jaz (Part. Carol Guerra)
 06 – Parte do Caminho
 07 – Onde Foi Parar (Part. carol Guerra)
 08 – A Vida Por Si Só
 09 – Clandestino
 10 – Julgue-se
 11 – Já Não Sei Mais (Part. Carol Guerra)
 12 – Interludio
 13 – Esquecido (Part. Carol Guerra)
 14 – Valores
 15 – Não Tão Simples
 16 – A Manhã Chega

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E vamos a entrevista!

 

ForaDoFoco: Então, para iniciar a entrevista, gostaríamos que você falasse um pouco de você e quem sabe até um pouco do Kablan pra quem não conhece vocês ficar ciente de quem são.

Pachá: Então mano, eu me chamo Gabriel, tenho 19 anos e sou MC desde meus 13 anos. O Kablan se chama Thiago, tem 25 anos e é MC desde 2007.
Nos conhecemos desde essa época de 2007 pra 2008, mas começamos um elo mais forte em 2009, que foi quando decidimos fazer algo juntos (…) à princípio a ideia era de um estúdio juntos e até um EP pra Download, algo em torno de 5, 6 sons nossos. Não foi tão simples no início porque o Thiago tinha se mudado pra Juiz de Fora pra fazer um curso e tal mas sempre fomos mantendo um forte contato e eu aos poucos fui iniciando o estúdio.
Comecei a parcelar uns equipamentos e tal, até que ele voltou de Juiz de Fora e resolvemos que era a hora de nós fecharmos nossa parceria nos sons. O espaço que até então eu tinha eu abri pra ele e foram só surgindo novos planos, de novos equipamentos, novas estruturas. A partir daí nossa amizade se tornou uma parada inexplicável mesmo, um elo de irmãos. E no período exato de 1 ano fizemos o album.
E foi um ano de muitos acontecimentos pra ambos, o que nos foi mostrando que era a junção que parecia perfeita. Ambos insatisfeitos com milhares de problemas, ambos com sentimentos semelhantes no que dizia respeito ao RAP, à vida (…) e todos os temas, sem excessão, surgiram de nossas seções de freestyles, ouvindo bases, ouvindos sons, trocando ideias no nosso “QuartoEstúdio”. E tudo sempre fluiu muito bem porque eu sempre aprendi muito com ele, da mesma forma que ele aprendeu comigo, é com uma relação mutualista, tá ligado?
Junção de duas mentes para revolucionar algo, tentando expressar algo. E somos parecidos em questão de personalidade: nenhum dos dois é muito calmo, nenhum dos dois se sujeita a aceitar qualquer imposição.

ForaDoFoco: O que você acha da Cena, não só em Petrópolis, mas no estado todo?

Pachá: Mano, a cena no estado do Rio eu vejo como uma parada crescente e muito variada.
Dá pra você notar a diversidade de MC’s que existe no estado. Infelizmente a cena do RAP em Petrópolis ainda deixa muito a desejar… o rap aqui tem seus agregados, tem seus movimentos, mas falta motivação, falta patrocínio, falta interesse dos investidores e também falta interesse dos produtores de eventos.
E isso acaba desmotivando uma boa galera aqui, o que por um lado é bom, porque acaba ficando só quem ama muito o que está fazendo.
E eu fico feliz de ver que no Rio o Rap já é uma parada maior, já há uma maior união, há um maior público, um maior interesse pela cultura…

ForaDoFoco: Você acha que os versos que você(s) lança(am) surte(em) algum efeito? Você consegue enxergar isso de alguma forma? Quando você anda na rua, por exemplo, você percebe isso?

Pachá:  Acho sim… pela forma como muitas pessoas vieram falar com a gente depois do [Album] Oculto, várias pessoas que eu nem desenrolava (conversava) tanto. Não vieram simplesmente parabenizar o trabalho, mas sempre tem um que chega e fala “Porra, aquele som parece que foi pra mim e pá, tava precisando ouvir aquilo..” ou “Porra, pensei que só eu via tal parada dessa forma..”
E eu vejo em certos olhares como nossa imagem mudou pra certas pessoas, mas não como ‘ídolos’ nem nada do gênero e sim como pessoas que vão te passar uma experiência que valha a pena assimilar, uma ideia que valha a pena, sacou? E isso é muito gratificante, muito mesmo.

ForaDoFoco: Uma coisa que tem sido bastante dita no RAP ultimamente é sobre ser verdadeiro, ser falso, quem é falso e quem não é, etc. O que é ser verdadeiro para você?

Pachá: Ser verdadeiro pra mim, é ser quem realmente você é (…) não se impor um gosto, não se impor uma ideologia. Pra mim o cara que faz um “RAP Pop” pra vender não é falso se ele nunca disse que não faria aquilo, saca?
Ser verdadeiro pra mim é dizer o que tu realmente pensa; É fazer o que tu realmente acha que deve ser feito, independente do que vai gerar e/ou do que vão pensar. E, no rap ser verdadeiro é fazer SEU RAP. Exatamente isso. Não desestruturar sua ideia por causa de alguém, não falar o que no fundo não faz.
Eu sou verdadeiro porque o que eu falo é o que eu realmente acho e o que eu falo, não faço pensando em que publico vai escutar ou quantos vão curtir. (…) Sei que quem é pra curtir, vai curtir. Quem se identifica com meu som, se identifica comigo.

ForaDoFoco: E o que te empenha a manter esse tom pesado de questionamentos nas suas letras?

Pachá: Mano, o meu RAP é um desabafo… E eu sempre fui muito desse jeito, eu acho que pra você conhecer tudo (a vida, o mundo, as pessoas) você precisa gerar questões, saca? Ao envés de ficar tentanto achar um monte de respostas, eu acho que você deve fazer perguntas, indagações que vão gerar algo.
Nós vivemos num mundo em que grande parte se contenta em omitir-se, em deixar pra lá, em esperar o futuro. (…) E são essas pessoas que me motivam a ser assim, a ser diferente do ângulo de visão delas, porque eu nunca me contentei em ser monótono, em ser acomodado.
E, independente se é meu som mais agressivo ou algo mais triste ou reflexivo, vai ter sempre a parada da questão. Vai ter sempre algo pra você pensar no que vale na sua vida, entende?
Meu som é pra você ouvir e tirar conclusões, mas as suas, porque com meus versos eu já tirei as minhas.

ForaDoFoco: O que você pensa do presente e do futuro do ‘mercado’ de Rap no Brasil? Pretende viver disso um dia?

Pachá: Mano, é um mercado que tá crescendo… Antes só vendiam trabalhos muito comerciais e vazios, porque é isso o que atrai as grandes gravadoras. Mas hoje em dia já tá rolando um grande número de gravadoras independentes que realmente lançam os artistas com suas ideias originais, que tentam vender o que o MC realmente faz e não o obriga a fazer algo pra vender.
E sim, eu pretendo viver de RAP. Eu sonho com isso sim e to fazendo a minha correria pra que isso se torne realidade, porque não é fácil, ainda mais na minha cidade. Mas tem que dar um passo por vez, tem que ir conquistando e ganhando força aos poucos.
O alicerce não pode ser frágil senão mais pra frente a estrutura toda desaba.

ForaDoFoco: Agora gostaríamos que você desse sua definação sobre cada som desse disco (ou do disco inteiro – de modo geral, se preferir) só pra aumentar a dimensão de entendimento sobre esse trabalho de vocês

Pachá: Bom, primeiramente, vamos ao porquê do nome “Oculto”
Chegaram a me dizer que o nome do álbum não tem a ver com os temas do disco, mas não entenderam o meu propósito. Eu tento explicar o Oculto como uma alma/mente formada pela união de duas almas/mentes e que nunca teve como objetivo engrandecer o nome individual de cada MC, nunca teve por objetivo ser óbvio, ser “conhecido”.
A intenção era fazer um desabafo oculto, que ninguém saberia daonde veio, onde foi gravado, onde foi pensado, afinal, as inspirações, pra mim, vêm de algo oculto em cada ser humano.
E pra começar a resenha do disco, pra mim o “Oculto” é um diário sonorizado. O que eu aprendi nesse tempo de escrita/gravação, nesse tempo de produção do trabalho, eu quis que cada ouvinte aprendesse também. Volta o ponto do questionamento… E a listagem das músicas do álbum não é por acaso, acho que seria como uma “ordem cronológica” de fatos, é uma ordem de músicas estrategicamente posicionadas para reflexão.
Tipo, ‘Difícil Entender’, ‘Respostas’, ‘Quanto Mais’, ‘Aqui Jaz’, ‘Parte do Caminho’ ..fazendo uma breve história com essas primeiras faixas: Primeiro fomos conhecendo o que é ‘difícil de entender’, fomos mostrando certas atitudes, certos acontecimentos, certas posições que tomamos ou que terceiros tomam proximos a nós e que não são de fácil entendimento. Depois passamos por mais perguntas, mas tentamos passar a sensação que rola quando alcançamos as ‘respostas’. ‘Quanto mais’ ..um desabafo só meu, como coisas que aconteceram e não param de acontecer em nosso mundo. ‘Aqui jaz’ ..como se fosse o ponto crítico, o fim, realmente o funeral do mundo.
E ‘parte do caminho’  já começa outro ciclo do CD, que é como diz o refrão “Saiba que eu me dediquei, o quanto me dediquei” ..algo no pensamento de ver que o esforço rola, muitas vezes “em vão” pois não sai do nosso jeito, mas nunca é em vão, são apenas partes do caminho.
O álbum todo diz muito pra mim. Eu creio que a melhor palavra pra descrever o álbum é “Reflexão”, porque ele surgiu a partir de centenas de reflexões sobre nossas vidas, sobre mundo, sobre um todo… e não passamos simplesmente nossas concepções, nossas opinões, mas passamos uma forma das pessoas encontrarem suas próprias.

ForaDoFoco: O que você acha do fato de ter Rap no país inteiro, com muito MC’s bons, e o grande público e a imprensa do Rap ficarem focados sempre nos mesmos?

Pachá: Mano, na real, é um grande obstáculo a ser atravessado não só por mim, mas por todos os MC’s que querem ter um reconhecimento dentro do Rap. É aquilo de tipo “Se eu chegar lá, alcançar aquela mídia, é porque eu sou bom” e não é bem por aí, tá ligado?
Eu acho que a imprensa do Rap abre muito pouco espaço para novos talentos, muito pouco mesmo. E aí já começa um pensamento que devia ser universal: “Vamos mudar essa porra?”. E o que falamos lá em cima sobre as gravadoras e tal, que foram surgindo independentes. Eu acho que tá começando a surgir, mas ainda não é grande a “imprensa independente”, sacou?
Acho que o momento que cada cidade começar a “exportar” seus melhores talentos, apresentar grandes trabalhos artísticos, acho que a imprensa “mais importante”, os sites, os blogs, rádios de maior porte, vão dar um destaque maior para o que até agora é desconhecido e eu sou um dos que estão dispostos a mudar essa restrição da mídia em relação ao Rap.

ForaDoFoco: Fim da entrevista, muito obrigado por fazer essa entrevista conosco. Você gostaria de dizer algo mais, passar telefone pra contato, etc?

Pachá: Então, meu celular é (24) 92417512, meus e-mails pra contato são gabrielpacha@hotmail.com e psicoaudio@hotmail.com ..Queria agradecer a você a oportunidade de divulgar meu trabalho, minha opinião, muito obrigado.

Outros links relacionados ao trabalho do Pachá:

Comunidade – Pachá

www.myspace.com/pachahall

Clipe “Quem Diria”  http://www.youtube.com/watch?v=nutdw-3h5wU

http://psicoaudio.cjb.net/

E também tem o novo single do Pachá, chamado “Temas da Babylon”

http://www.4shared.com/file/8jJGE_gV/Pacha_-_Temas_da_Babylon__Sing.html